Cronologia
1543 - Fundação da Santa Casa de Misericórdia
É fundada a primeira Santa Casa de Misericórdia no Brasil, na Vila de Santos. Talvez daí venha a noção de voluntariado ligado à área espiritual, já que esta atividade era conduzida por padres e freiras. Até hoje, diversas entidades ligadas à área de saúde são assistidas e administradas por religiosos.
1863 - Criação da Cruz Vermelha
Surge o comitê Internacional da Cruz Vermelha para prestar assistência médica em áreas de conflito armado. Tudo começou no campo de batalha de Solferino, no Norte da Itália, em junho de 1859, um homem de negócios suíço chamado Henry Dunant ficou profundamente impressionado com a visão de milhares de soldados feridos abandonados, à própria sorte, em agonia por falta de assistência médica.
Ele , então, apelou ali mesmo para a população local vir ajuda-lo, insistindo que os soldados de ambos os lados deveriam ser tratados. Mas não ficou por aí. Em 1862 publicou o livro “Uma Recordação de Solferino”, em que fez dois apelos solenes: em primeiro lugar, que fossem constituídas sociedades de assistência em tempo de paz com enfermeiros que tratariam dos feridos em tempo de guerra, e, em segundo lugar, que esses voluntários, que seriam convocados para auxiliar os serviços sanitários do exército, fossem reconhecidos e protegidos por meio de acordo internacional. Estas idéias levaram rapidamente à criação do “Comitê Internacional para a Assistênciaonal, aos Feridos”. Em resposta a um convite do Comitê Internacional, os representantes de dezesseis países e quatro instituições filantrópicas reuniram-se numa Conferência Internacional em Genebra em 1863. Este acontecimento marcou a fundação da Cruz Vermelha como instituição. Hoje são 171 sociedades Nacionais em 171 países com mais de 350 milhões de voluntários, regidos por um mesmo estatuto, princípios e finalidades.
1908 – A Cruz Vermelha chega ao Brasil
A Cruz Vermelha Brasileira foi fundada em 5 de dezembro de 1908 e, desde então, tornou-se uma instituição modelar, tanto no socorro aos feridos em campos de batalha ou na liberação de prisioneiros de guerra, como levando ajuda a vítimas de catástrofes e desastres naturais (secas, enchentes, terremotos etc.). A Cruz Vermelha Brasileira é reconhecida pelo Governo como sociedade de socorro voluntário, autônoma, auxiliar dos poderes públicos e, em particular, dos serviços militares de saúde, bem como única sociedade nacional autorizada a exercer suas atividades em todo o território brasileiro.
Os princípios fundamentais são:
- • Humanidade
- • Imparcialidade
- • Neutralidade
- • Independência
- • Voluntariado
- • Unidade e Universalidade
1910 – Normas do Escotismo
O Escotismo nasceu na Inglaterra no início do século XX, fundado por Robert Stephenson Smith Baden Powell, um oficial do Exército Britânico, nascido em Londres a 22 de fevereiro de 1857. Herói nacional inglês, B-P escreveu o livro “Aids to Scouting” (Ajuda à Exploração) sobre como acampar e sobreviver em regiões selvagens. O livro, destinado a adultos, fez grande sucesso entre meninos e rapazes. O Escotismo fez muito sucesso na Inglaterra e logo se espalhou por vários lugares, tornando-se uma fraternidade mundial. Seu lema “Be Prepared” (Sempre Alerta) é reconhecido no mundo inteiro.
No Brasil, o escotismo foi fundado em 1910 na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente existem mais de 30 milhões de escoteiros em todo o mundo. O Escotismo chega ao Brasil com o objetivo de “ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião”.
Ele segue princípios e normasespecí icas na área de servir “Sempre Alerta”.
1935 – Promulgada a Lei de Declaração de Utilidade Pública
A lei regulamenta a colaboração do Estado com as instituições filantrópicas.
1942 – Getúlio Vargas cria a Legião Brasileira de Assistência
Darcy Vargas foi a primeira presidente da LBA. A Instituição, sempre presidida pelas primeiras-damas, foi, durante sua existência, palco de vaidade e competição e teve suas atividades encerradas na era Collor, após escândalo envolvendo a ex-Primeira Dama, Rosane Collor.
1945 – A Fundação Dorina Nowill Para Cegos
Antiga Fundação para o Livro do Cego no Brasil, foi oficialmente fundada em 11 de Março de 1946,
pela iniciativa da professora Dorina Gouvêa Nowill e da sra. Adelaide Reis Magalhães, com a colaboração
de um grupo de voluntários. As primeiras atividades da antiga Fundação para o Livro do Cego no Brasil foram
destinadas exclusivamente a suprir as necessidades de livros em Braille para estudantes e pessoas cegas. Essas atividades,
que inicialmente tiveram o apoio da Cruz Vermelha Brasileira, eram realizadas por um Grupo de Voluntários que transcreviam
os livros em Braille por processo manual.
Os alunos do Curso de Especialização de Professores para Cegos da Escola
Caetano de Campos, liderados por Dorina de Gouvêa Novill treinavam os voluntários para esse trabalho.
Essa foi a semente para a criação da Fundação.
1950/1960 – Era Damista
Com o agravamento das questões sociais, a sociedade civil passou a mobilizar-se de forma mais efetiva e pessoas da sociedade passaram a liderar movimentos em prol de causas específicas. É a chamada Era Damista do Voluntariado nacional, fruto do assistencialismo estatal, da Igreja e da segregação elitista que a sociedade mais rica da época impunha intencional ou involuntariamente aos mais necessitados.
1954 – Surge a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
A primeira iniciativa no Brasil de congregar pais de “excepcionais” e outras pessoas interessadas em apoiá-los ocorreu no Rio de Janeiro, em dezembro de 1954, empreendida por Beatrice Bemis, membro do corpo diplomático norte-americano e mãe de uma pessoa portadora da Síndrome de Down. Nos Estados Unidos, ela já havia participado da fundação de mais de duzentas e cinqüenta associações de pais e amigos. A Sociedade Pestalozzi do Brasil, no Rio de Janeiro colocou à disposição parte de um prédio, possibilitando que ali fosse instalada uma escola para crianças excepcionais, com apoio do professor La Fayette Cortes.
De 1955 a 1962, surgiram outras APAEs. No final de 1962, houve a primeira reunião nacional de dirigentes apaeanos, presidida pelo médico psiquiatra Dr. Stanislau Krinsky, em São Paulo. Para facilitar a articulação e o Intercâmbio de idéias, os participantes da reunião sentiram a necessidade de criar um organismo nacional e em 10 de novembro de 1962 surge a Federação Nacional das APAEs.
Hoje, decorridos quarenta e sete anos, existem mais de mil e seiscentas unidades, espalhadas pelo Brasil. É o maior movimento social de caráter filantrópico do país, na sua área de atuação.
1962 – Criação do Centro de Valorização da Vida - CVV
Em 1962, em São Paulo, foi fundado o Centro de Valorização da Vida, em decorrência do aumento do suicídio nas grandes metrópoles, tendo como objetivo a prevenção ao suicídio, através do apoio emocional oferecido por pessoas voluntárias às pessoas angustiadas, solitárias ou mesmo sem vontade de viver, o programa CVV.
1967 – Criação do Projeto Rondon
O Governo cria o Projeto Rondon que objetiva levar universitários brasileiros para dar assistência a comunidades carentes no interior do país.
1970 – Surgimento de ONG’s
Nesta década, buscando parceiros mundo a fora, as ONG’s européias promovem projetos de desenvolvimento no Terceiro Mundo e acabam por fomentar o surgimento das ONG’s nos continentes do Hemisfério Sul, incluindo o Brasil. Por terem surgido no período da ditadura, as ONG’s brasileiras ficaram mais associadas ao discurso e à agenda da esquerda. Com o decorrer do tempo ocorreu uma transformação importante no seu conceito original, sendo nos dias de hoje definidas como um conjunto de organizações da sociedade civil que se distinguem do Estado e do Mercado.
1983 – Criação da Pastoral da Criança
Todos os meses no Brasil, 1.635.461 crianças são assistidas por um exército de 155 mil voluntários. O trabalho deste exército é salvar vidas e construir a paz. Estes números pertencem à Pastoral da Criança, entidade fundada há 19 anos pela doutora Zilda Arns Neumann e por Dom Geraldo Magella Agnelo para promover a qualidade de vida das crianças brasileiras. Milhares de crianças são salvas da desnutrição e da morte através de um trabalho que envolve a família e a comunidade.
1990 – Começa a busca por parcerias
A partir da década de 90 começaram a surgir formas mais modernas de atuação social, mais agudamente no período pós-Collor, onde tanto entidades do Terceiro Setor,como seus voluntários buscaram incorporar ao seu gerenciamento conceitos, filosofias e procedimentos vindos do segundo setor,porém sem perder sua identidade e missão. Nesta década também os programas estatais de caráter social diminuem devido à crise econômica iniciada no fim da década de 70.
1993 - Ação da Cidadania Contra a Fome e a Miséria e pela vida
Sociólogo mineiro, Herbert de Souza, mais conhecido como Betinho, nasceu em 1935 em Minas Gerais. No início da década de 60, participa da fundação da Ação Popular (AP), movimento revolucionário ligado à Juventude Universitária Católica que luta pela implantação do socialismo no Brasil. Assessor do Ministério da Educação no Governo João Goulart, após o golpe militar de 1964 passa sete anos na clandestinidade, atuando na AP, e oito no exílio (Chile, Panamá, Canadá e México). Em 1979 Betinho volta ao Brasil e cria o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), organização não-governamental, suprapartidária e supra-religiosa.
Ganha, em 1991, o Prêmio Global 500, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, por sua luta pela reforma agrária e defesa dos povos indígenas. Em 1993, Betinho articula a Campanha Contra a Fome, que, sem ajuda financeira do governo, em dois anos estabelece 5 mil comitês por todo o país e distribui toneladas de alimentos para a população carente.
Por essa iniciativa, em 1994, o ex-presidente Itamar Franco indica Betinho para o Prêmio Nobel da Paz. No governo Fernando Henrique, torna-se membro do Conselho da Comunidade Solidária, que substitui a Legião Brasileira de Assistência (LBA) e é presidido pela primeira-dama Ruth Cardoso.
Em 1995, a Ação da Cidadania, através da campanha Democracia na Terra, passa a dar prioridade à luta pela democratização da propriedade agrícola como forma de combater a fome e o desemprego.
Hemofílico e portador do vírus da Aids, como seu irmão o cartunista Henfil, Betinho morre em 1997.
1995 - Criação do Conselho da Comunidade Solidária
Fernando Henrique Cardoso cria em 12 de janeiro o Conselho da Comunidade Solidária com o objetivo de se adequar às exigências do voluntariado moderno. Ruth Cardoso é a primeira presidente do conselho.
1996 - Lançamento do Programa Voluntários
A Fundação Abrinq sentindo a necessidade de conhecer formas de organização do trabalho voluntário no Brasil, juntou-se ao Conselho da Comunidade Solidária para criar o “Programa de Estímulo ao Trabalho Voluntário no Brasil”, para promover o conceito e a prática da cidadania no país, oferecendo canais organizados para ação voluntária, através da criação de uma rede de Núcleo de Voluntários (Centros de Voluntários) em grandes cidades de várias regiões do país.
1997 - Criação dos primeiros Centros de Voluntariado do Brasil
O primeiro Centro Voluntário criado foi o de São Paulo. Logo em seguida foi criado o Rio Voluntário. Hoje temos Centros de Voluntários em quase todas as capitais e em algumas cidades atuando tanto na captação como na capacitação de entidades e de voluntários, enquanto agentes sociais.
1998 - Promulgada a Lei do Voluntariado
A lei 9.608, de 18 de fevereiro, dispõe sobre as condições do exercício do serviço voluntário e estabelecem um termo de adesão.
LEI DO SERVIÇO VOLUNTÁRIO
Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998.
Dispõe sobre o serviço voluntário e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei: Artigo 1 - Considera-se serviço voluntário, para fins desta Lei, a
atividade não remunerada, prestada por pessoa física a entidade pública
de qualquer natureza ou instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive, mutualidade.
Parágrafo Único: O serviço voluntário não gera vínculo empregatício nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim.
Artigo 2 - O serviço voluntário será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade, pública ou privada, e o prestador do serviço voluntário, dele devendo constar o objeto e as condições do seu exercício.
Artigo 3 - O prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades voluntárias.
Parágrafo Único: As despesas a serem ressarcidas deverão estar expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário.
Artigo 4 - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Artigos 5 - Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 18 de fevereiro de 1998; 117 da
Independência e 110 da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Paulo Paiva
(Publicado no Diário Oficial da União de 19/02/1998)
1999 - Promulgada a Lei das OSCIPs
A Lei 9.790, de 23 de março, qualifica as organizações da sociedade civil de direito público e disciplina um termo de parceria.
2000 – Assinada a Declaração do Milênio
Declaração do Milênio foi aprovada pelas Nações Unidas em setembro de 2000. O Brasil, em conjunto com 191 países-membros da ONU, assinou o pacto que estabelece um compromisso com a sustentabilidade do Planeta.
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram estabelecidos em 2000 pela Organização das Nações Unidas depois de analisar os maiores problemas mundiais. É um conjunto de 8 macro-objetivos a serem atingidos pelos países até o ano de 2015, por meio de ações concretas dos governos e da sociedade.
2000 - Criação do Portal do Voluntário
Fruto de uma parceria entre o Programa Voluntários da Comunidade Solidária, Globo.com e TV Globo, o Portal do Voluntário foi lançado em 5 de dezembro de 2000, Dia Internacional do Voluntário. Seu objetivo é promover uma nova cultura de trabalho voluntário no Brasil, buscando resgatar as experiências daqueles que já atuam e oferecer conhecimentos, oportunidades e ferramentas para quem deseja começar.

2001 - Ano internacional do voluntário
Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o apoio de 123 países. No final 2001, a IBM convida o Portal do Voluntário para gerenciar um projeto de voluntariado virtual, chamado e-voluntários. A partir daí, nasce uma parceria que se mantém até hoje, com a participação do Portal nos projetos de voluntariado da IBM Brasil on demand.
2003 - Portal do Voluntário lança o primeiro site corporativo de sua trajetória
Em 16 de setembro de 2003, o Portal do Voluntário lançou o Portal Voluntários Embratel. No ar há mais de dois anos, o site da Embratel permite que os funcionários da empresa divulguem suas ações voluntárias e engajem companheiros e familiares. Atualmente, o Portal do Voluntário festeja o desenvolvimento de vários portais corporativos, em parceria com empresas como Embraer, ItauBank (ex-BankBoston), Itaú, ABN Amro Real, CPFL, Vale do Rio Doce e Telemar.
2004 - Reformulação do Portal do Voluntário e introdução do V2V
Com novo design e conteúdo, o portal lançou a tecnologia V2V, em que o voluntário é o protagonista na promoção do voluntariado. Por meio do V2V, internautas podem agora construir seus sites pessoais de voluntariado e contribuir para as principais seções do Portal do Voluntário. Outra novidade foi a criação de uma seção com os 8 Objetivos do Milênio - estabelecidos em 2000 pela ONU depois de analisar os maiores problemas mundiais.
2006 – Lançamento do V2V Network
Em uma conferência mundial sobre voluntariado realizada na Índia em novembro de 2006, que englobava experiências
de várias partes do mundo sobre o tema, foi lançada uma rede global de voluntariado, que une o Portal do Voluntário,
a outros dois portais, o HacesFalta.org, da Espanha e o Idealist, dos Estados Unidos. O endereço desta nova rede
é http://www.v2v.net
O objetivo da V2V Network é reunir oportunidades
de atuação oferecidas por iniciativas de diferentes países e estabelecer conexões entre elas.
A intenção é que pessoas de idiomas diferentes encontrem interesses de participação comuns.
2008 - V2V fica internacional e se conecta globalmente
Em uma inédita parceria global com a Starbucks Coffee, o V2V agora atinge dezenas de países onde há mais de 200 mil funcionários Starbucks. Conheça o V2V Starbucks no link http://www.v2v.net/starbucks. O V2V foi construído no Rio de Janeiro, Brasil, com a colaboração de diversas empresas que o utilizam para dar voz aos seus funcionários, familiares e clientes interessados em promover mudanças por meio do voluntariado. São empresas como IBM, HSBC, Claro, Embraer, Nike Brasil, ALCOA, Embratel, Itaú, Vale, Vivo, Embratel e Bradesco.
2008 - Agora o Portal do Voluntário é V2V Brasil!
Pioneiro no uso de redes sociais com foco em voluntariado, o Portal do Voluntário comemora oito anos, se reformula e lança uma nova versão. Nossa rede social que reúne quem já é ou deseja se tornar um voluntário está mais ágil e interativa, usando o que há mais colaborativo em modelos de engajamento social em rede e de mais novo em web 2.0. Saiba mais em http://portaldovoluntario.org.br/blogs/54329/posts/1805.
